Paraguai anuncia combate ao narcotráfico na fronteira com Brasil

20 de outubro de 2008

O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, sobrevoou nesta segunda-feira áreas de cultivo de maconha no Departamento (Estado) de Amambay, na fronteira com o Brasil, e anunciou que intensificará o combate ao tráfico de drogas. Ele disse que o finalidade da visita era demonstrar à população o interesse do governo em destruir as plantações.

“Queremos fazer um trabalho conjunto, coordenado. Acho que somente nos unindo poderemos continuar melhorando o país”, disse ainda o presidente. Lugo sobrevoou várias regiões de Amambay, a 530 km ao nordeste de Assunção e divisa com Mato Grosso do Sul.

O presidente paraguaio realizou o percurso em companhia das autoridades locais e da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), organismo que realiza operações periódicas de destruição de cultivos de maconha em Amambay e no Departamento vizinho de Canindeyú.

Ele também presenciou a destruição de parte das plantações ilegais, assim como dos acampamentos precários instalados pelos plantadores de droga. Segundo as autoridades paraguaias, nas regiões florestais de Amambay e Canindeyú, contrabandistas e traficantes disputam o controle das plantações de maconha, e também do tráfico de cocaína.

A Senad destruiu um total de 1.550 hectares de plantações de maconha em 2007 em operação realizada nesses dois departamentos e em Caaguazú, no centro do país.

Menor ferido em briga de torcedores está no CTI

20 de outubro de 2008

O jovem de 16 anos que sofreu traumatismo craniano durante uma briga de torcedores do Vasco e Flamengo em Parada de Lucas, no subúrbio, está internado em estado grave no CTI do Hospital de Saracuruna, na Baixada Fluminense. As informações são da Secretaria estadual de Saúde.

 

A vítima foi socorrida no Hospital Getúlio Vargas, no subúrbio, e transferida ainda no domingo para Saracuruna, onde foi submetida a uma neurocirurgia.

 

A secretaria informou ainda que um jovem de 24 anos, que também sofreu traumatismo craniano no confronto, foi socorrido no Getúlio Vargas e transferido ainda no domingo para o Hospital Copa D’Or, na Zona Sul. Ainda não há informações sobre o seu estado de saúde.

 

Dois feridos na mesma briga de torcedores, que também foram socorridos no Getúlio Vargas, já receberam alta, segundo informações da Secretaria estadual de Saúde. 

 

Feridos em outra briga já receberam alta

Outras cinco vítimas, que foram internadas no Hospital Souza Aguiar após se ferirem em uma briga de torcedores na Avenida Brasil, já receberam alta, segundo informações da Secretaria municipal de Saúde.

Morre compositor Luiz Carlos da Vila

20 de outubro de 2008

O compositor Luiz Carlos da Vila morreu nesta segunda-feira (20), aos 59 anos, segundo informações da assessoria de imprensa do Ministério da Saúde. De acordo com o escritório onde Luiz Carlos trabalhava, o músico estava internado desde setembro deste ano no Hospital do Andaraí, onde deu entrada para uma cirurgia de hérnia e sofreu complicações.

 

Familiares do sambista afirmaram que ele chegou a operar um câncer no estômago, mas voltou a ficar internado, não resistindo à doença.

 

 

Luiz Carlos da Vila nasceu em Ramos, no subúrbio do Rio, em 1949. De acordo com seu site oficial, o compositor começou a freqüentar o bloco carnavalesco Cacique de Ramos nos anos 70. Na mesma década, ingressou na ala de compositores da escola de samba de Vila Isabel.

 

Foi na escola que surgiu um de seus sucessos, “Kizomba, festa da raça”, em parceria com Rodolpho de Souza e Jonas Rodrigues. Entre seus seis discos lançados estão “Luiz Carlos da Vila” (1983), “Pra esfriar a cabeça” (1985) e “Raça Brasil” (1995).

 

Enterro

O velório do compositor será na quadra da Vila Isabel, no Boulevard 28 de Setembro 382, Vila Isabel, Zona Norte, nesta segunda-feira (20), a partir de 15h. O enterro está marcado terça-feira às 10h, no Cemitério de Inhaúma.

Suspeito de matar ex-namorada é preso em Sorocaba

20 de outubro de 2008

O ex-namorado da jovem de 16 anos, morta no domingo (19), foi preso no início da tarde desta segunda-feira (20). O rapaz, de 22 anos, foi encontrado em uma chácara a 500 metros do local do crime, no bairro de Brigadeiro Tobias, em Sorocaba, a 99 km de São Paulo.

 

Segundo a polícia, a casa foi cercada e o rapaz não teve tempo de reagir. Com o jovem, foram encontradas porções de maconha e cocaína. A arma foi localizada em um matagal perto da chácara. Segundo a polícia, ele havia pedido a uma menina de 17 anos que se livrasse do revólver. 

 

O rapaz é suspeito de matar Camila Silva Araújo, de 16 anos, com um tiro na cabeça. O ex-namorado da jovem tem várias passagens pela polícia e estava foragido desde o dia do crime. 

Camila rompeu o relacionamento há 4 meses. No domingo (19), o rapaz teria ido até a casa da vítima e dito ao pai dela que estava melhorando de vida. Meia hora depois, ele teria voltado à casa da ex-namorada armado, trancado a família dela no quarto e seguido em direção ao quarto da jovem.

Mãe diz que não autorizou volta de Nayara

20 de outubro de 2008

Mãe diz que não autorizou volta de Nayara

Em entrevista à Rede Globo, mãe disse ter ficado surpresa quando viu filha subir as escadas; declaração confirma o que pai havia dito

Corregedoria da Polícia Militar ainda vai apurar se condução da operação pelo Gate teve falha que possa ter colocado vidas em risco

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Eloá e Nayara

KLEBER TOMAZ - FOLHA SP

DA REPORTAGEM LOCAL

Andrea Rodrigues Araújo, mãe de Nayara Rodrigues da Silva, 15, disse ontem que não autorizou o retorno da filha ao apartamento onde ela havia sido mantida refém. A declaração foi dada à Rede Globo e confirma o que o pai já havia dito. “Fiquei surpresa quando ela passou pelas escadas”, disse a mãe que, no momento, estava com os policiais e acompanhava tudo pela TV.
No sábado, em entrevista coletiva, o coronel Eduardo José Félix, comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar de São Paulo, disse que a mãe havia autorizado que a menina entrasse no prédio para negociar com Lindemberg Fernandes Alves. Segundo ele, o combinado era que a menina e o irmão (amigo de Lindemberg) não entrassem no apartamento, parando a uma distância segura. “A mãe autorizou, e o grupo analisou. Até onde ela iria, não ia ter risco nenhum. O que ocorreu é que o irmão parou [antes de chegar à porta], e ela não”, disse.

Delegado

A Polícia Civil isentou o Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) da PM na morte de Eloá e concluiu que quem atirou nela e em Nayara, ambas com 15 anos, foi mesmo Lindemberg.
“Todos os disparos [com munição letal] ocorridos no apartamento foram feitos por Lindemberg. Apenas um disparo de calibre 12 de borracha foi feito pela PM”, afirmou o delegado-seccional de Santo André, Luiz Carlos dos Santos
Segundo ele, todos projéteis encontrados pela Polícia Técnico-Científica são compatíveis com o calibre 32, a arma usada por Lindemberg.
A Polícia Civil, no entanto, ainda não sabe dizer se o tiro que matou Eloá foi dado antes ou depois de a PM invadir.
A PM diz que explodiu a porta do imóvel e entrou apenas quando escutou o tiro. A perícia e a própria Nayara poderão esclarecer o fato. A menina só poderá prestar depoimento quando receber alta.
Jornalistas que estavam no local no momento da invasão- e alguns moradores que conversaram com a reportagem- dizem que só ouviram disparos após a derrubada da porta.

Homicídio doloso
“Nada indica que a tática usada pela PM tenha levado a menina à morte. São duas coisas distintas, o crime e a tática”, afirmou ontem o delegado-seccional de Santo André.
Segundo o delegado, após a invasão, os policiais militares do Gate só fizeram um disparo com bala de borracha em direção à Lindemberg e erraram.
Eloá levou dois tiros, na cabeça e na virilha, e Nayara, um, na boca. Foram retirados projéteis do abdômen de Eloá e do maxilar de Nayara.
Por conta da dúvida sobre quando a ordem dos fatos, a Polícia Civil apura, paralelamente, a ação da PM, apesar desse não ser o foco da sua investigação. Oficialmente, a Corregedoria da PM apura se negociação e invasão foram corretas. (…)

Cozinheiro é condenado à prisão perpétua por canibalismo

20 de outubro de 2008

Um cozinheiro britânico que havia matado seu amante antes de cozinhar uma parte de sua carne foi condenado nesta segunda-feira (20) em Leeds (norte do país) à prisão perpétua acrescentada de uma pena de 30 anos.

 

Anthony Morley, de 36 anos, estrangulou Damian Oldfield antes de esfaqueá-lo diversas vezes, para cortá-lo depois em seis peças de carne e cozinhá-las com ervas e azeite de oliva.

 

“Antes deste caso, achava que o canibalismo acontecia em épocas remotas, nas passagens de Robinson Crusoé”, comentou o juiz James Stewart ao anunciar o veredicto de “um dos assassinatos mais sórdidos” no qual ele já trabalhou.

 

O magistrado lembrou como Anthony Morley havia utilizado suas habilidades de chefe para cortar seu amante e cozinhar sua carne. “Ela não estava a seu gosto, então a jogou no lixo”, acrescentou.

 

Pouco antes do assassinato, os dois homens mantiveram relações sexuais na cama do acusado. Este afirmou que havia matado Damian Oldfield porque tinha pensado que seu amante queria violentá-lo no meio da noite.

Anthony Morley entrou em seguida em um restaurante vizinho, vestido com um roupão sujo de sangue e sandálias, afirmando que tinha acabado de matar alguém que havia tentado estuprá-lo.

Anthony Morley entrou em seguida em um restaurante vizinho, vestido com um roupão sujo de sangue e sandálias, afirmando que tinha acabado de matar alguém que havia tentado estuprá-lo.

 

Durante seu julgamento, o acusado afirmou que não se lembrava do ocorrido.

 

 

Corpo de Eloá será enterrado na terça-feira

20 de outubro de 2008

O corpo da adolescente Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, será enterrado nesta terça-feira (21), às 9h, no Cemitério Santo André, na cidade de Santo André, no ABC, onde a garota morreu. O velório deve começar ainda nesta segunda-feira (20), mas o horário não foi informado.

 

O corpo da adolescente ainda estava no Instituto Médico-Legal (IML) por volta das 11h desta segunda. Ela teve a morte cerebral confirmada no sábado (18), após levar um tiro na cabeça na sexta-feira (17). A família da jovem optou por doar os órgãos, que foram retirados durante esta madrugada. A garota foi feita refém pelo ex-namorado Lindemberg Alves, de 22 anos, durante 100 horas.

O jazigo no qual Eloá será enterrada foi doado pelo cemitério. Representantes foram até o hospital onde a adolescente estava internada e fizeram contato com a família por meio dos médicos. Segundo o gerente comercial do cemitério, Edson Mariano, o jazigo tem três gavetas e vale R$ 6 mil. “Os diretores ficaram solidários com a família e resolveram doar”. Quanto à manutenção do jazigo - que custa R$ 180 por semestre - o gerente ainda não sabe o que será resolvido. “Ainda preciso ver com os diretores, mas provavelmente eles vão abrir mão de todo o pagamento”, afirmou. 

 

 

Amigos

Cerca de 50 pessoas, entre amigos, colegas e conhecidos de Eloá Cristina Pimentel aguardavam o início do velório da jovem por volta das 11h desta segunda-feira no cemitério.

“Vim para prestar solidariedade, está todo mundo sentido com isso”, explica a estudante Francielly dos Santos, de 15 anos, que foi para o local acompanhada da irmã e da mãe, a dona de casa Jussara Santos, de 42 anos. “Ela me pediu para vir. Ela também tem 15 anos, então sinto como se fosse da família”, explica a mãe da garota.

A adolescente estudava em uma escola próxima à que Eloá freqüentava e conhecia a jovem de vista. “Acompanhamos tudo pela TV. Ficou todo mundo em choque, porque a gente pensava que ia acabar bem”, conta a estudante.

A dona-de-casa Taís Rodrigues Gato, de 57 anos, foi para o cemitério com a filha Vasti Rodrigues Gato, de 37, e o marido, o aposentado Eugênio Rodrigues Gato, de 63 anos. O casal conhece os pais de Eloá. “Somos da mesma congregação, os conhecemos da igreja”, explica.

“Estamos abalados, isso abalou todo mundo. Foi muito triste”, conta Taís. “De vez em quando acontecem alguns casos que nos marcam, esse marcou demais.” Segundo a dona-de-casa, uma de suas netas, de 19 anos, está tão abalada que teve que dormir com ela na última noite. A família soube do local do velório pela igreja, e resolveu ir cedo. “Enquanto o mundo não acabar esse tipo de coisa não acaba nunca”, disse o aposentado.

Um grupo de oito adolescentes também esperava o início do velório. Além dos amigos da família, outras pessoas que não conheciam a jovem e acompanharam o caso pela mídia, também estavam no local para o velório.

Família autoriza doação de órgãos de Eloá, diz médica

20 de outubro de 2008

 

A família da adolescente Eloá Cristina Pimentel, 15, que teve morte cerebral atestada no final da noite de ontem, autorizou a doação de órgãos da menina, afirmou na manhã deste domingo Rosa Maria Pinto de Aguiar, diretora do hospital municipal de Santo André (Grande São Paulo).

A médica afirma que foi avisada da decisão por um irmão da menina. Médicos do Instituto Dante Pazzanese devem chegar à unidade no começo da tarde. Não foi divulgado quanto tempo levará o procedimento.

Eloá foi baleada na cabeça após passar cem horas rendida pelo ex-namorado. Houve perda de massa encefálica, e ela chegou a passar por cirurgia. A bala, no entanto, não pôde ser retirada ficou alojada no cerebelo.

Inconformado com o fim do namoro de três anos, Lindemberg Fernandes Alves rendeu a adolescente na última segunda-feira (13). Além dela, outras três pessoas foram rendidas –dois garotos libertados no mesmo dia e Nayara, que, após passar 33 horas em cárcere privado, voltou ao apartamento na quinta-feira (16) por exigência de Alves.

A Polícia Militar afirma que decidiu invadir o apartamento na noite de sexta após o rapaz atirar. “O que provocou a invasão foi o próprio agressor. O Gate não atirou. Fizemos de tudo para preservar a vida dos três”, disse neste sábado o coronel Eduardo Félix, comandante do Batalhão de Choque da PM.

Segundo o coronel, Alves deu o primeiro tiro e, quando a equipe do Gate entrou no apartamento, o rapaz descarregou a arma.

Preso, o ex-namorado da adolescente foi levado neste sábado para o CDP (Centro de Detenção Provisória) de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. Segundo a polícia, ele foi levado na noite de sexta-feira a uma delegacia de Santo André, mas se recusou a falar sobre o caso.

Jovem baleada após seqüestro no ABC tem morte cerebral, diz equipe médica

20 de outubro de 2008

A jovem Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, que foi mantida refém durante mais de 100 horas pelo ex-namorado em Santo André, no ABC, teve morte cerebral confirmada às 23h30 deste sábado (18), segundo informou o secretário de Saúde do município, Homero Nepomuceno Duarte.

Ainda no sábado, a neurocirurgiã Grace Mayre Lydia havia previsto que a menina “neurologicamente, nunca sairia dessa situação”. Apesar disso, ela informou que a jovem “tinha sinais vitais e o coração batia”. A médica disse que Eloá estava em estado gravíssimo e seguia em coma.

A família de Eloá foi informada sobre a morte cerebral da jovem logo após o diagnóstico.

Segundo a diretora do Centro Hospitalar de Santo André, Rosa Maria Aguiar, a mãe, os irmãos e outros familiares da adolescente se encontram no hospital. O pai da menina não estava no local por volta de 1h10 (já no horário de verão). “A família está sendo atendida por psicólogos do hospital, está sendo apoiada”, afirmou a médica.

De acordo com Segundo Rosa, os familiares da estudante sempre tiveram fé em sua melhora. “Todo o tempo, a família tinha fé de que ela ia sair do coma. Todo mundo desabou (com a notícia)”, afirmou. Perguntada sobre como se sentia diante do diagnóstico, a médica respondeu emocionada: “é frustrante”.

Após a divulgação da morte cerebral de Eloá, um grupo de pessoas se reuniu em frente ao hospital e fez orações pela adolescente. 

Bateria de exames

A confirmação da morte cerebral de Eloá foi feita a partir de uma série de exames, que foram repetidos com um intervalo de seis horas neste sábado. Entre eles, exames laboratoriais, para analisar a dosagem de gases diluídos no sangue da paciente, exames de reflexos neurológicos e motores, e um último, “que constatou a ausência de fluxo sanguíneo pelas artérias cerebrais”, explicou Nepomoceno. “Juntos, realizados em períodos diferentes, e com o mesmo diagnóstico eles confirmam a morte cerebral”.

Em primeiro depoimento, Nayara relata ameaças e agressões

20 de outubro de 2008

A adolescente Nayara Rodrigues da Silva, 15, que foi rendida por Lindemberg Fernandes Alves, 22, prestou depoimento à polícia na quarta-feira (15), após ter sido liberada do cativeiro pela primeira vez. Ela passou 33 horas em cárcere privado, em um apartamento no Jardim Santo André, em Santo André (Grande São Paulo). O documento, divulgado neste domingo, descreve com detalhes o que aconteceu com ela e com sua amiga Eloá Cristina Pimentel –ex-namorada de Lindemberg– no apartamento onde estavam.

No depoimento, Nayara relata que Lindemberg chegou ao apartamento armado e muito irritado. O nervosismo do rapaz aumentou quando ele notou a presença de dois garotos além de Nayara e Eloá. Ele chegou a agredir os rapazes com tapas no rosto.

Além de agredir os garotos, Lindemberg deu tapas, chutes e puxou com força os cabelos de sua ex-namorada. Nayara também contou à polícia que ela e sua amiga foram amarradas com fita adesiva durante a primeira noite no cativeiro.

O relato de Nayara sobre Lindemberg é de um rapaz descontrolado, que altera momentos de nervosismo e de calma. Um rapaz inconstante que tomava decisões conforme o calor do momento.

Veja a cronologia do caso, conforme Nayara:

Segunda-feira (13)

Segundo Nayara, ela, Eloá, e um amigo combinaram de assistir a um filme no apartamento de Eloá para realizar um trabalho de geografia. Seu namorado foi encontrá-los lá. No imóvel, eles foram surpreendidos por Lindemberg, que estava com arma em punho e deu tapas no rosto dos garotos. Ele queria saber quem era um dos rapazes e o que fazia lá.

Nayara revelou no depoimento que Alves demonstrava estar nervoso com o fim do relacionamento com Eloá. Lindemberg dizia o tempo todo que estava uma pilha de nervos e que não sabia o que iria fazer. Além disso, ele ordenou que não falassem alto, ou chamassem atenção dos vizinhos e agrediu Eloá com tapas, chutes e puxões de cabelo quando ela tentava conversar com ele. A garota contou que sempre que Lindemberg ia até a janela do apartamento, usava Nayara e um dos garotos como escudo, segurando-os pelo pescoço e apontando a arma para suas cabeças.

No fim da tarde de segunda-feira (13), Lindemberg ficou irritado porque alguém tocou a campainha do apartamento. Depois, um irmão de Eloá começou a chamar pela menina do térreo e a atirar pedras na janela. No início da mesma noite, a mãe de Nayara ligou para sua filha preocupada com sua ausência. A garota disse que estava tudo bem e que voltaria para casa de carona quando acabasse de fazer o trabalho escolar.

O pai de Eloá, Aldo, também ligou para a filha, que foi orientada pelo ex-namorado a dizer que estavam em poder de Lindemberg. Aldo ficou sabendo que Alves estava armado e sua filha pediu para que ninguém se aproximasse do prédio. Aldo pediu ao jovem que o deixasse ir até o apartamento, o que não foi autorizado. O pai de Eloá disse que considerava Lindemberg como filho e pediu para que parasse de agir daquela maneira. O rapaz respondeu que o respeitava e tinha muita amizade pelo pai da ex-namorada.

Segundo Nayara, logo após esta ligação, alguém mexeu na maçaneta da porta e, ao ligar para o pai de Eloá, soube que quem tinha subido ao apartamento tinha sido o pai de um dos garotos também rendidos. Nayara disse ainda que, a partir deste momento, começou a perder a noção de tempo e só percebeu que era noite quando a Polícia Militar chegou e o clima ficou mais tenso.

Como os dois garotos rendidos passaram mal, Nayara pediu a Lindemberg que soltasse os dois. O jovem advertiu que, após soltá-lo, ela e Eloá seriam mantidas em cárcere. A garota concordou.

Em seguida, em meio à negociação com a PM, Lindemberg disse que a polícia só passaria a acreditar nele quando um refém fosse morto. Então, disse: “Olha o que eu vou fazer”, e deu um tiro na direção de um sargento. Rindo, o rapaz pediu a todos os PMs que se afastassem do prédio.

Depois disso, os dois voltaram para o quarto de Eloá e o rapaz começou a se acalmar, tratando a garota de forma mais afetiva. No entanto, um recado no celular de Eloá causou nova discussão. Nervoso, o rapaz foi até o banheiro com a ex-namorada e, através da janela, viu, além de PMs, curiosos que se aglomeravam próximo ao prédio. Do banheiro, Lindemberg disparou novamente um tiro, que não atingiu ninguém.

Lindemberg telefonou para quem mandou a mensagem –um garoto– e fingiu ser o irmão mais velho de Eloá. O rapaz disse que sabia do relacionamento do casal. O garoto desligou e Lindemberg deu um tapa em Eloá. Ele novamente ligou para o garoto para saber sobre a suposta relação.

Segundo Nayara, o rapaz amarrou as meninas com fita adesiva e camiseta para poder dormir e tentou beijar a ex-namorada a força. Quando ela tinha adormecido, Lindemberg a acordou com tapas. Eloá começa a gritar e o jovem ameaçou agredir Nayara se ela não parasse de berrar.

Terça-feira (14)

Na terça-feira, as duas meninas foram desamarradas e foram tomar café. O clima estava mais calmo e conversaram até o almoço. Logo depois, eles assistiram a um programa de televisão que dizia que se houvesse tentativa de invasão todos sairiam mortos –e isso o deixou irritado.

De acordo com o boletim de ocorrência, àquela altura Lindemberg já havia manifestado intenção em soltar Nayara, mas mudou de idéia. Nayara tentou convencê-lo a liberar todos. Ele quase atendeu ao pedido, e disse que nada de mal aconteceria.

O rapaz foi informado pelo negociador sobre a troca de turno e ficou irritado. Antes de anoitecer, cortaram água e luz. Lindemberg quis falar com os negociadores e pediu que energia fosse religada. Enquanto tentava negociar com os PMs, a bateria de seu celular acabou. Em seguida, foi retomado o fornecimento de energia.

O jovem proibiu as meninas de dormir e, após discussão, Lindemberg decidiu liberar Nayara. Naquela noite, o rapaz levou Nayara até a porta e mandou que ela corresse para sair do apartamento. Ele disse que se a adolescente saísse devagar poderia receber um tiro nas costas.
Aos policiais, a adolescente contou que viu um revólver e um saco com até 30 cartuchos de munição.

Retorno

Nayara voltou ao apartamento na quinta-feira (16) por exigência do rapaz e, após o desfecho do caso, ainda não prestou novo depoimento à Polícia Civil. Ela foi baleada no rosto e permanece internada, mas passa bem. Já Eloá, 15, teve morte cerebral confirmada por médicos do hospital municipal de Santo André na noite de sábado (18). A família da garota autorizou na manhã deste domingo a doação de seus órgãos.

De acordo com o delegado seccional de Santo André, Luiz Carlos dos Santos, Nayara poderá esclarecer se Lindemberg atirou antes ou depois da invasão de policiais militares do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais). Ela deverá ser ouvida somente após receber alta do hospital.

 


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